Nos últimos dias foi possível ver divulgado nas grandes mídias, que o assunto discriminação racial e preconceito estão em alta ao redor do mundo; o estopim deu-se após o assassinato de George Floyd na cidade de Mineápolis no estado de Minnesota nos EUA.

Dentro da comunidade dos games é de praxe que todas as desenvolvedoras realizem campanhas que combatam quaisquer tipo de discriminação e preconceito existente dentro de seus jogos. Um grande exemplo de combate ao preconceito são as desenvolvedoras: Riot Games, Epic Games e Valve que fazem com que essas ações e pensamentos sejam refletidos nos ambientes virtuais, como: Fóruns, Portais, redes sociais, Youtube e dentro dos próprios jogos.

Dados levantados sobre o Preconceito nos ambientes virtuais

Com base na pesquisa levantada, pelo PlayTimes, em grupos voltados ao mundo dos jogos virtuais no mundo dos games identificamos que 39 mil pessoas já sofreram alguma forma de preconceito em ambiente virtual.

Preconceito
Pesquisa realizada nas redes sociais – total de 60 mil internautas responderam ao questionário.

Para Wagner “DeadLikeMeDLM” Abulquerque — Jogador de GTA ONLINE, revela que nunca revelou sua sexualidade dentro dos jogos, por não ser de interesse das pessoas.

Wagner ainda revela que dentro de alguns jogos como partidas de Fortnite, durante o canal de jogo presenciou os próprios membros da equipe xingando seus companheiros de time, o que o deixou bastante desconfortável, visto que houve um “teor preconceituoso”.

“Já presenciei bastante dentro de partidas de Fortnite, dentro do squad por chat de voz, pessoas do meu time xingando os companheiros de equipe, eram ofensas com teor preconceituoso, o que nos deixa desconfortável”, explica.

Entretanto, Wagner ressalta que tudo trata-se “as vezes” de uma questão cultural, o que difere o Brasil dos demais países, visto que a sociedade brasileira carrega uma grande quantidade de preconceito.

“Às vezes temos coisas culturais que podem pesar mais do que o deles, pois nossa sociedade carrega consigo bastante preconceito”, completa Wagner.

O preconceito também é existente dentro da comunidade em forma de machismo, conforme é possível observar dentro de partidas de League of Legends, Dota 2, Fortnite e entre outros. É o que conta a gamer Maria “Guido” Clara.

“No mundo dos games as mulheres são bastante ofendidas, sofremos muito preconceitos, como se não soubéssemos jogar, além de sermos muito assediadas”, relata Maria.

CAMPANHA COMBATE O PRECONCEITO CONTRA MENINAS NOS GAMES Foto: Portal Atlantida

Segundo informado pela mesma, a uma série de fatores que levam em conta os motivos de assédios, mas para ela também é existente um público de perseguidores muito maior no Dota.

“É como em vários jogos a existência de preconceito, mas acho que no Dota ocorrem mais assédios do que no LoL, pelo o que observo”, explica.

Natan “Sim Salabim” Gabriel, jogador de League of Legends relata que o preconceito e racismo está impregnado nos jogos, após experiências recentes dentro do FPS da Riot Games VALORANT, que tem seu lançamento oficial marcado para está próxima terça (02).

“É uma coisa que esta impregnada nos jogos, muita vezes vi pessoas se xingando de ‘macaco’, ‘preto’. Geralmente essas pessoas profanam essas ofensas sem saber como são as pessoas, utilizando isso para ofender, no Valorant aconteceu bastante, me xingaram de forma racista, pois não estava jogando bem”, narra o jogador.

Ao ser questionado sobre a reação dos demais jogadores do time ao presenciarem a situação pelo qual o mesmo passou, Natan nos conta que é natural ficar quieto afim de evitar confusão e, que na maioria das vezes as pessoas apenas tomam a atitude de falar no chat “report”.

CAMPANHA MYGAMEMYNAME – Wonder Women Tech – Publicação: 24/01/2018.

“Às vezes uns falam e as vezes as pessoas ficam quietas, as vezes até eu mesmo vejo esse tipo de coisa e escolho ficar quieto para evitar confusão, mas na maioria das vezes quando alguém fala, só fala report”, conclui.

Para Natan, “a popularidade dos jogos não interferem na toxidade dos players, e que a educação digital deve ser desenvolvido dentro das pessoas”.

“Por exemplo alguém que trabalha o dia todo em um serviço estressante , chega em casa e entra no computador, qualquer erro de qualquer pessoa pode alavancar um momento de raiva na qual a pessoa não vai medir o que falar, ela em teoria não tem tanto a perder por que o máximo que vai acontecer é perder a conta em um joguinho, então ela fala, humilha e desconta tudo o que passou o dia inteiro em pessoas que estão tentando se divertir, quando duas ou mais pessoas dessas caem no mesmo game chega até ser insuportáveis para outras pessoas que não tem nada a ver com a história. O problema é que isso já está impregnado na comunidade, pessoas usando o chat dos games para descontar sua raiva do dia a dia, vejo isso principalmente na comunidade do League of Legends”, finaliza.

Para a gamer de Fortnite e TikToker, Ana Carolina “anabraba_” Braz, manter-se calado é consentir com a opinião de que mais ações preconceituosas tomem conta dos servidores ao redor do mundo.

“Quando eu observo alguém praticando qualquer tipo de preconceito eu já vou me posicionando contra, pois isto causa muito desconforto à todos”, explica.

Ana compartilha o pensamento de que “preconceito não se faz nem por brincadeira”, gestos ofensivos por quaisquer que sejam podem ocasionar em grandes prejuízos mentais a pessoa.

Conforme a TikToker relata, a uma série de fatores que podem remeter as pessoas a levarem a agirem de forma ofensiva para com o próximo, dentre elas a principal é a criação que cada um possui dentro de sua respectiva convivência familiar.

“Acredito que independente da criação da pessoa, eles vão seguir o pensamento dos pais, então meio que eles podem retratar o que eles passam em casa”, conclui Ana.

Conforme estudo publicado em dez de outubro de 2017 no portal oficial do Jornal da Universidade de São Paulo (USP), 2.354 estudantes com idade entre 10 e 19 anos de escolas públicas de Uberaba, Minas Gerais passaram a responder questionários para que fosse possível identificar a interação familiar de cada um deles e a ligação com situações de práticas de bullying nas escolas. De acordo com o portal, o resultado mostrou que certa quantidade de jovens que não praticavam ofensas ou atos desumanos na escola tinham um bom relacionamento com seus familiares enquanto os seus pais tinham uma boa relação no casamento. Além disso, os pais desses estudantes estabeleciam regras dentro de casa, como também supervisionavam seus filhos, sabendo onde eles estavam nos tempos livres.

Após a onda de ataques a Riot Games, por sua vez, sempre atuante em movimentos que apoiam as causas sociais e apoiadora de atos que prezam pelo fim das diferenças sociais e pelo fim da discriminação racial se manifestou em sua conta do Twitter oficialmente apoiando a batalha travada pelo encerramento de quaisquer atividades racistas e preconceituosas.