Os esportes eletrônicos, também chamado de esports (electronic sports), está deixando cada vez mais de ser algo fechado, deixando de ser algo consumido apenas pela comunidade dos games, está cada vez mais atingindo e alcançando famosos e celebridades de outros meios, como por exemplo famosos do mundo da música, do esporte e do entretenimento.

Podemos citar aqui alguns exemplos de famosos que já mostraram alguma proximidade com o cenário competitivo dos games como: O jogador de futebol Neymar, o rapper Emicida,o cantor Mateus da dupla sertaneja Jorge e Mateus,  o campeão mundial de Poker André Akkari, o campeão mundial de surf Gabriel Medina, entre muitos outros famosos.

Um dos últimos eventos de games do ano de 2018 foi um bom exemplo de relação entre pessoas de diferentes meios com os esports. A Go For Gaming, evento realizado no dia 22 de Dezembro  trouxe alguns famosos de outros cenários para sentir um pouco da atmosfera dos esports.

Entre os convidados estava Matheus Ueta, ele que com apenas quatorze anos é  ator,apresentador,dublador,cantor e a agora escritor. Matheus que desde os três anos de idade atua em campanhas publicitárias, mas ficou conhecido quando atuou na novela “Carrossel” do SBT, interpretando o personagem Kokimoto.

Matheus Ueta no seu personagem Kokimoto de Carrosel (Foto: divulgação/SBT)

O primeiro contato com o jogo

Matheus é uma das personalidades do entretenimento brasileiro que vem demonstrando que gosta de acompanhar os eSports, e não só acompanhar como também tem planos de fazer parte do cenário, principalmente quando falamos do jogo Counter-Strike:Global Offensive (CS:GO). O ator conta que conheceu o jogo a pouco mais de um ano, devido a influência de amigos da escola

Eu conheci o cs no fim 2017 mais ou menos, entre outubro e novembro, porque meus amigos de escola e da minha sala todos eles estavam jogando e curtindo muito jogar cs, e eu era o único que não tava jogando ainda”, ainda complementa que foi em 2018 que entrou de cabeça no jogo “Nossa eu era ruim…ruim,ruim, eu era o cúmulo do “newba(iniciante)” mas depois de um tempo comecei  pegando jeito ,em 2018 eu engrenei com muita força e muita vontade no jogo.” comenta Matheus.

No momento em que essa entrevista esta sendo publicada Matheus se encontra na patente de Xerife(nível de ranqueamento do jogo), e tem gostos peculiares quando se trata de mapas preferidos. “Um mapa que eu curto muito jogar é Overpass que é um mapa que as pessoas normalmente não gostam, o outro é Nuke que é o mapa mais odiado de cs, e eu também gosto de uma chachezinha.”

O jogo no dia-a-dia

Com quatorze anos Matheus frequenta a escola e tem uma agenda de trabalhos artísticos para conciliar junto aos estudos, mas mesmo com seu dia-a-dia corrido ainda consegue encontrar tempo para jogar o CS:GO no qual também acaba servindo como um momento de deixar as obrigações de lado e relaxar

Agora nas férias eu estou jogando todos os dias, porque eu curto muito o game, é, mas em frequência de aula normal eu jogo um pouquinho por dia,as vezes tem dia que não dá pra jogar, tenho outras coisas,outros trabalhos… trabalhos da própria escola para fazer… mas sempre que dá eu to jogando porque é um jeito de eu me distanciar da parte corrida do meu dia, é o momento que gosto de relaxar.”afirma.

Mateus Ueta aproveita as férias para jogar CS:GO (Foto: instagram/@matheusueta)

A aproximação com o cenário

Não só melhorando no jogo mas também se aproximando daqueles que vivem disso, os jogadores e times. O jovem ator até então, não fazia ideia de que existia um cenário de campeonatos e grandes torneios e muito menos que alguém vivesse disso

Pra você ter uma noção quando eu comecei a jogar cs eu não sabia que tinha um cenário tipo de pró-player e essas coisas,gente que ganha vida fazendo isso, que ganha vida jogando, pensei que só existisse os youtubers que jogam bem, eu não sabia que existia todo esse cenário”,comenta.

O principal gatilho para começar a acompanhar os torneios foi saber da existência de um time brasileiro, a SK Gaming, que na época era considerado o melhor time do mundo.

Quando comecei a jogar cs estava tendo a Pro League da ESL(torneio internacional), eu vi no próprio CS:GO, um campeonato gigante com um baita estádio gigantesco,e fui procurar mais sobre né, e aí  vi que tinha um time brasileiro que na época era a SK, e era o melhor time do mundo eu falei assim – como eu não sabia disso!? E daí comecei acompanhar o cenário” ,comenta.

Brasileiros da SK Gaming, vencendo a ESL Pro League Season 6 em Dezembro de 2017 até então melhor time do mundo (Foto: hltv.org)

Matheus ainda pontua a admiração e influência de dois jogadores específicos para que começasse a acompanhar os torneios “…eu comecei com a história do cenário com admiração de duas pessoas que sempre foram meu ídolos e sempre serão pro resto da vida que é o FalleN e o Cold, não tem como não admirar esses dois caras,esses dois são simplesmente lendas, foram esses dois aí que mostraram o quão legal e quão diferente é o cenário de CS:GO competitivo”.

Matheus ainda complementa sobre usar os jogadores como inspiração para quem sabe um dia se tornar um jogador de alto nível como eles.

“…eu comecei assim nessa história querendo entrar pro cenário para algum dia se der eu virar um cold virar um FalleN acho que os cara são inspirações pra todo mundo eu vou me inspirar neles também para ver se pego um pouquinho da Skil haha”, completou.

Lado torcedor

No cenário de CS:GO a torcida brasileira tem a possibilidade de acompanhar os times que jogam os torneios nacionais e os times de brasileiros que residem e competem no exterior jogando as principais ligas e torneios lá fora. Matheus como um bom fã  acompanha os dois cenários.

Acompanho os dois! Porque curto muito o cs nacional que está cada vez mais revelando algumas pessoas, por exemplo o Kscerato que foi uma grande revelação do ano passado,o VSM.. o time em si da Detona, são uma baita revelação,mas também curto muito cenário gringo sempre torcerei para MIBR, mas bem curto times como a Astralis, eu acho que os caras apesar de toda polêmica estão jogando absurdamente bem, eles merecem”.

Ao falar sobre quais times brasileiros que acompanha além da MIBR, Matheus citou logo de cara dois times “A Detona e a Fúria” logo em seguida completou que também tem admiração por outros times “A Team Wild eu também torcia mas encerraram as atividades nos esports, eu também torcia muito por eles”.

Fazendo também um breve comentário sobre a Sharks o time de brasileiros que vestem a camisa de uma organização portuguesa

O nak é um grande ídolo para mim também,os moleques da Sharks em si, e eles são muito gente boa, eu conversei com eles lá na LA LEAGUE(torneio), conversei presencialmente e  acho que é o único time além da MIBR que eu torço real mesmo e com vontade, quero ver muito eles ganhando um major”.

Vídeo do Matheus indo acompanhar um dos torneios de CS:GO, a LA LEAGUE

Matheus não acompanha apenas times e jogadores, também é muito fã de produtores de conteúdo como streamers e youtubers. Desde conteúdos mais voltados a ensinar sobre o jogo até conteúdo para entretenimento, e Matheus também não fica de fora e acompanha algumas destas personalidades do cenário

“…eu curto muito três youtubers daqui do Brasil, o CSR (Cesinha), o BRDgamer que aliás eu tenho alguns vídeos no canal dele que eu estava jogando com ele, e o cachorro1337 que atualmente está contratado pela INTZ ele é o youtuber streamer oficial da INTZ,eu gosto. Já de streamer curto muito o Balero,o Fluyr e o Grauzera eu acho esses caras muito bons” ,comenta.

Primeiros passos no competitivo

Criando todo esse gosto e paixão pelo jogo e pelo cenário competitivo, Matheus não quer apenas ser um espectador, o jovem ator tem pretensões de fazer parte do cenário até mesmo como pró-player. Será que Matheus Ueta pode se tornar o próximo coldzera?

Já sabemos que ele está no caminho, recentemente Matheus montou um time com os amigos no qual leva o nome de TOX1C GAMING E-SPORTS e pretende participar de campeonatos.

Então… a ideia de montar um time veio da minha necessidade de competir, eu sou muito competitivo, eu via um cenário super legal na minha frente uma plataforma muito louca para você montar tudo isso e fazer isso virar realidade que é a Gamers Club, aliás eu acho que se não fosse a Gamers Club no Brasil o cs não seria praticamente nada”,crava.

Também ressalta a facilidade que o cenário te da de participar dele. Também eu vejo um futuro muito legal não só para mim, mas acho que pra todo mundo que quiser entrar no mundo dos esports,  é um mundo muito aberto e é muito legal isso”,ressalta.

Para mostrar o quanto está levando a sério, o time pretende participar de torneios amadores e recentemente fizeram um bootcamp de uma semana na casa de Matheus.

O pessoal se reuniu na minha casa, a gente pegou a sala da minha casa e fez de gaming house, a gente ficou uma semana aqui, a gente não só jogou mas também fizemos várias atividades variadas, foi muito legal, uma semana super divertida”.

O treinamento também contou com ajuda presencial de personalidades do cenário como os streamers Vinícius “Fluyr” Menegatti.

Eu acho que essa ideia surgiu para eu conseguir tirar o máximo de informação e agregar pra mim, sabe? o Fluyr foi uma pessoa perfeita. Porque? Por que o fluflu é muito inteligente ele entende demais sobre o game, o Fluyr foi uma pessoa que ajudou muito nesse tempo”,afirma.

Matheus também fez questão de falar da importância da presença do streamer Grauzera. “E também quem estava junto comigo foi o Grauzera ele joga já faz tempo e entende muito do game, e na GH fez toda a diferença, ajudou muito a gente” , Completa.

A pressão nos palcos

Como citado no início, Matheus Ueta foi um dos convidados a participar do evento beneficente da Go For Gaming. Foi convidado a jogar  CS:GO ao lado de outras celebridades como o ator Thiago Gagliasso, o campeão mundial de poker André Akkari,o jogador de futebol Andrigo os MCs de funk como MC Gui e MC Davi, entre outras celebridades.

O jogo das celebridades foi montado em um ambiente similar a de um torneio com palco principal e telões para o público acompanhar. As celebridades puderam sentir exatamente o clima de ser um pro-player de CS:GO, e Matheus contou um pouco como foi a experiência  de jogar em um palco e afirma que foi ali que teve a certeza de que quer ser um jogador profissional

Então cara… é muito,muito louco, muito diferente,quando você joga no seu quarto você  não tá lidando com a pressão, sabe? Se morrer… morreu, você dá seu ragezinho e é isso, mas ali naquela arena naquele tamanho com tanta gente, cara… é uma experiência muito diferente uma experiência totalmente nova pra mim e foi ali que me apaixonei de vez pelo cenário, foi ali que falei assim pra mim mesmo -é isso que quero pra minha vida! ”,afirma em tom animado.

Matheus foi um dos destaques da partida das celebridades jogando bem e fazendo boas jogadas, um dos fatores que Matheus aponta em ter ajudado a jogar bem foi já saber lidar bem com a pressão, desde pequeno está acostumado a lidar com a pressão e estar na frente de muitas câmeras e pessoas.

 “Jogar naquela arena  é tenso demais e acho que,o que me fez jogar razoavelmente bem, foi a história de que estou acostumado a lidar com muita pressão, de estar falando sempre com as pessoas na frente de muita gente e estar influenciando pessoas, para você ser uma pessoa com influência você precisa saber lidar com isso, eu acho que isso me ajudou demais na questão de lidar com a pressão e ter uma boa performance na hora”.

Matheus Ueta participa do 1º Go For Gaming

Apesar de estar acostumado com a pressão, Matheus pontuou algumas diferenças que sentiu entre atuar e jogar na frente de um público.

É muito diferente porque no jogo você precisa de ter  aquela concentração, você não pode jogar recebendo o que a plateia te dá, e isso me ajuda muito no programa/teatro eu recebo o que a plateia está me dando e vou transformando isso em coisas que posso usar para a plateia, mas no jogo não, no jogo você tem que se concentrar e fazer”.E completa sobre jogar melhor sob pressão.“É muito diferente, eu acho que eu me dei bem com a pressão, foi um dos momentos que melhor joguei na minha vida, eu preciso daquela pressãozinha pra dar aquela engrenada”.

Futuro nos esports

Matheus já mostrou acompanhar bastante tudo que gira em torno do cenário nacional de CS:GO e já deu indícios de querer virar um pró-player. Para o ano de 2019 seu planejamento é de fazer parte de tudo isso.

Eu agora em 2019 além de focar nessa parte de querer virar pró, vou focar muito também na parte de criar conteúdo como streamer e youtuber… eu quero focar nessa  parte que é uma parte muito legal e abrange muita gente”.

Fascinado com o jogo e toda essa atmosfera, Matheus vem publicando constantemente fotos e vídeos do jogo em suas redes sociais, uma das preocupações seria a recepção de seu público com essa mudança de conteúdo.

Eles gostaram muito! E eu acho que isso foi muito legal, eles gostarem, sabe? Eles têm aceitado e estão me apoiando, tem muita gente das minhas redes que começou a jogar cs porque viram que eu jogava também, pessoal fala muito – nossa comecei a jogar cs por que você joga e to gostando muito do game e já quero virar pro-player – pra mim isso não tem preço”.

Com mais de um milhão de seguidores em seu instagram Matheus demonstra planejamento e cuidado ao produzir conteúdo do jogo em suas redes sociais sem distanciar seu público que o acompanha desde Carrossel, e ainda cita sua missão a para 2019.

“… acho que não me distancia tanto do meu público que me acompanha do Carrossel que tenho há muito tempo, eu quero integrar eles no cenário, eu não quero separar, chegar e falar -oh a partir de hoje não faço mais parte disso e faço parte do cenário de cs, e me desculpa aí que acompanhava- eu quero integrar eles no cenário, essa que a minha missão”,crava.

Enquanto acontecia a entrevista pode se notar a empolgação no tom de voz com que ele falava do jogo, o garoto com apenas quatorze anos tem uma vida cheia de obrigações e com a agenda  sempre movimentada de trabalhos artísticos e estudos, encontrou no CS:GO uma maneira de se divertir com os amigos e se distrair um pouco da correria do dia-a-dia e ainda sim, colocando um toque de competitividade e profissionalismo, produzindo conteúdo sobre o jogo e montando um time para participar de campeonatos.

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