E-Sports; a nova adaptação

A maioria das pessoas que ingressa em alguma universidade logo entra em contato com os jogos universitários, conhecidos como competições esportivas entre diferentes campi e universidades. Os Jogos reúnem centenas ou até milhares de jovens para competir em diversas modalidades esportivas — além de aproveitar várias e várias festas. Dentre os principais exemplos desses eventos, estão o InterUSP, competição que reúne a maioria dos campus da Universidade de São Paulo e a TUSCA (Taça Universitária de São Carlos), evento que mistura jogos, festas e lama, e que reuniu cerca de 30 mil pessoas em 2019.


Milhares de pessoas compõem a grande aglomeração da Taça Universitária de São Carlos. Imagem: Divulgação / Tusca.

No entanto, com a pandemia do COVID-19 e a recomendação de ficar em casa e evitar aglomerações fez com que todos os jogos universitários que estavam marcados fossem adiados por tempo indeterminado. Mesmo a TUSCA, que só aconteceria em Novembro, está com grandes chances de ser cancelada pela enorme multidão que se aglomera durante o evento. Dessa forma, os universitários do Brasil vivenciaram um luto momentâneo: a perda da emoção das torcidas, dos treinos violentos ao longo do semestre, das noites viradas em festas e da adrenalina de alcançar a tão almejada vitória. Todavia, não demorou muito para que eles encontrassem uma saída diante da situação atual: tornar os jogos universitários em disputas via online.

Assim, os torneios universitários assumiram a forma de campeonatos de e-sports: League of Legends, Counter Strike, dentre outros, contando com partidas emocionantes, narrações enfáticas e torcidas animadas. Falaremos aqui sobre o Taça JupiterWeb, competição análoga ao presencial InterUSP. (além de outras competições virtuais menores entre os campus e cursos.)

Taça JupiterWeb

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Imagem: Divulgação / Taça JupiterWeb

A Taça JúpiterWeb é um campeonato online de e-sports (LoL e CS:GO) entre 16 equipes divididas em quatro grupos formados por Times e Atléticas da USP. O nome vem da plataforma virtual da USP, o JupiterWeb, por meio da qual os estudantes fazem suas matrículas e acessam notas, dentre outras coisas – além de passar muita raiva com seus travamentos e particularidades. Todos os jogos são transmitidos no canal da Twitch. As partidas começaram no dia 15 de maio, e acompanham narrações e torcidas organizadas.

A ideia surgiu da ex-presidente da FEA Kangaroos (equipe de e-sports da Faculdade de Economia e Administração da USP), Ana Braunstein Marques. Desde 2018, quando começou a se envolver com o cenário de esportes da FEA e na USP em geral, enxergava-se uma necessidade de construir um cenário interno de e-sports na universidade.

Os times de LoL e CS já eram comuns em vários institutos, mas os times raramente apresentam nível competitivo e acabam se sentindo desestimulados a participar os campeonatos grandes. Dessa forma, visava-se movimentar tal cenário dentro da Universidade de São Paulo, especialmente na Cidade Universitária (campus da USP na cidade de São Paulo com um grande número de institutos) para que até o segundo semestre sejam formados times dispostos e aptos a competir em torneios maiores.

Assim, diante da divulgação da Taça JúpiterWeb, alguns institutos da Universidade formaram seus times de E-Sports agora, como a EEL (Escola de Engenharia de Lorena). Outros, como a FEA, já tinham um time de E-Sports consolidados. É também o caso da Poli Plague, equipe de e-sports da Escola Politécnica da USP (Poli). 

De acordo com Shiro, líder da equipe de LoL da Poli Plague, os recrutamentos de novos membros para o time foi feito pelas redes sociais, com o auxílio da atlética da universidade, seguido pelos treinamentos dos interessados e avaliação de seus comportamentos. Se eles se encaixarem na equipe, estão dentro! Shiro também conta que muitos times foram formados em cima da hora – dado todo o contexto -, mas um regulamento da competição foi organizado para que todos os times conseguissem fechar suas line-ups e jogar.

Além disso, Shiro disse que a transmissão dos jogos acompanhado das torcidas são a melhor parte dos jogos! Pessoas que queiram narrar e comentar os jogos são chamadas e seus horários são organizados – já que o campeonato estava acontecendo quase por doze horas seguidas na fase de grupos. Além disso, ele diz que “a torcida é bastante intensa no chat [risos], tem muita rivalidade entre as atléticas, muita farpa rolando, então é sempre bom ficar de olho no chat porque ele rende boas risadas”.